30 de set de 2009

...e então as coisas pararam de fazer sentido. o formato das nuvens no céu só fazia lembrar coisas que não deveriam ser lembradas, e as boas músicas traziam lembranças ruins [seriam de todo ruins? foi, aquele, um tempo bom, que se tornou ruim, que na real era bom. confuso, mas mais confusa que ela, não havia, em lugar algum]. seu olhar estava perdido, sem fixar em nada. os passeios com seu cachorro, anteriormente alegres, agora se tornaram monótonos; as mesmas pessoas nas ruas, as mesmas paradas, os mesmos cachorros alheios latindo, as mesmas vontades de espancar aqueles guaipecas. as pessoas se tornaram sem-sal, chatas, irritantes, fúteis, infantis. os elogios se tornaram superficiais e falsos, os planos pareciam impossiveis, e bom mesmo foram os anos que passaram [ela se sentia em uma progressão que, a cada ano, o ano anterior havia sido melhor, e isso nunca fora uma boa perspectiva].

...e então ela se olhava no espelho, e não se reconhecia. uma pessoa pálida, melancólica, sem expressão alguma. uma pessoa cujos olhos não brilhavam mais, cuja boca não tinha a menor cor, cujo semblante era praticamente nulo. só se via o cigarro entre os dedos, o delineador preto nos olhos e o óculos, de armação pesada, escondendo a cor de sua íris.

...e então os cigarros não lhe davam mais prazer nenhum, e os longos goles de vinho já haviam perdido o efeito. cigarros de menta eram bons, doces, mas ela não sentia mais vontade.. vontade nenhuma, na real. o vinho lhe alegrava anteriormente, mas agora, lhe entristecia. tudo que ela precisava, segundo o próprio pensamento, eram alguns remédios, daqueles sem receita, sem bula, comprados com amigos. obviamente, ela não ia tomar esses remédios, mas... se aparecessem, ela não os negaria.

...e então, ela não sabia mais o que fazer.

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e não, ELA não é necessariamente a srta. Taís Flôres.

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